segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

ENTRE AMIGOS
12 de abril de 1999

Para que serve um amigo? Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra. Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito. Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contruído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos. Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos. Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta. Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país. Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu. Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon. Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado. Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador. Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.
Martha Medeiros

terça-feira, 4 de novembro de 2008


"... Procure os seus caminhos,mas não magoe ninguém nessa procura.Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!Não se acostume com o que não o faz feliz,revolte-se quando julgar necessário. Alague seu coração de esperanças,mas não deixe que ele se afogue nelas.Se achar que precisa voltar, volte!Se perceber que precisa seguir, siga!Se estiver tudo errado, comece novamente.Se estiver tudo certo, continue. Se sentir saudades, mate-a.Se perder um amor, não se perca!Se o achar, segure-o!"
Fernando Pessoa

segunda-feira, 29 de setembro de 2008


"Só o que conquistamos intimamente é que irá mudar a realidade exterior."
Plutarco

Nightfall, c. 1865-70 MONET


Esta minha vida não é novela, nem seriado de tv paga, mas bem poderia ser. Talvez você tenha algo parecido... São aquelas situações inusitadas que acontecem com todo mundo de vez em quando, e com uma pequena porcentagem da população (como eu) acontece sempre: sujar o tênis na rua, ir limpá-lo em um canteiro, não ver o excremento de cachorro no mato em questão e encardir até o cadarço; andar por entre árvores e ao invés de cair cocô de pombo, cair um filhote de passarinho melado de sabe-Deus-o-quê na sua cabeça; ou ainda realizar a façanha de andar em dois ônibus seguidos que quebram em noite de chuva. Nos meus primeiros 18 anos, eu ficava um tanto quanto irritada a cada novo episódio desse tipo, mas hoje em dia eu acho tudo engraçado.

Obviamente, nem só de passagens hilárias é feita uma existência, muitos dramas e suspenses estão envolvidos. Contudo, deixarei as lamentações e crises para outro texto. Este é para lembrar das muitas coisas boas que com generosidade nos são dadas.

Talvez apenas um cego sinta totalmente a grandeza desde pôr-do-sol de baunilha. Só alguém que perdeu a audição entenda este canto de pássaros. Apenas uma mãe que perdeu o filho entenda a importância de viver cada dia, porquê daria qualquer coisa para ter aqueles dias de volta. Mas eu gosto de pensar que eu voltei a dar o valor que é praticável a quem já sofreu e sabe que o futuro ainda trará tanto dores e frustações quanto alegrias e realizações.
Prefiro acreditar que me perder era necessário, e que as coisas ruins devem ser esquecidas, mas não o que aprendemos com elas - e, querendo ou não, absolutamente nada é totalmente preto ou branco.
Espero sinceramente estar aproveitando minhas oportunidades. Todavia sei que falta muito para chegar ao ideal. Falta abraçar aqueles amigos que sempre me vêm à cabeça, mas quase nunca procuro. Falta ajudar verdadeiramente minha mãe, ao contrário de sempre ser ajudada. Falta participar efetivamente da vida do meu afilhado, passear mais com minhas cadelas, comer mais chocolate com minha irmã, ler mais livros policiais que eu gosto e menos romances de vestibular, tomar mais chuva e me preocupar menos com a gripe ou o cabelo. Falta sorrir mais para estranhos, entender o choro dos conhecidos e dizer mais 'eu te amo' para aquele que foi meu melhor presente este ano. Parece que faço tanto... e muito continua faltando. Entretanto, esse é o combustível da vida: a procura. O desejo e a superação são o que diferem a rotina de um ser vivo qualquer da trajetória deste horrendo ser magnífico, o ser humano.

terça-feira, 23 de setembro de 2008



"Que nada te pertubes."
Utopia, conceito de sociologia que representa uma situação ou lugar ideal onde as instituições são extremamente aperfeiçoadas.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Utopia

"Utopia é o conceito de algo ideal, perfeito, fantástico, imaculado, idéia que se torna imaginária segundo os padrões da atual sociedade. Pode-se referir aos ideais do presente como também do futuro, é uma palavra oriunda do grego que significa “lugar que não existe”. Esse termo teve origem por volta de 1516, utilizado por Thomas More no título de uma de suas obras escritas em latim. Para alguns historiadores More ficou fascinado pelas narrações de Américo Vespúcio sobre a recém avistada ilha de Fernando de Noronha, em 1503. A partir das narrações extraordinárias que ouvira, More passou a escrever sobre um lugar novo e imaculado onde existiria uma sociedade perfeita."
Por Eliene Percília Equipe Brasil Escola

utopia: projeto irrealizável; quimera.
Mini dicionário AURÉLIO


este blogg não trata apenas de sonhos e vontades, mas do que é real e de aquilo que eu gostaria que fosse. é o mundo imperfeito sob uma mira imperfeita, de alguém que apenas começou a viver. minha utopia.